terça-feira, 7 de dezembro de 2021

MÃE DAS MERETRIZES

MÃE DAS MERETRIZES

5 Na sua fronte achava-se escrito um nome: mistério, Babilônia, a grande, a mãe das meretrizes e das abominações da Terra.

Apocalipse de JESUS CRISTO segundo São João, cap. XVII:5.




Babilônia.


Toda pessoa é uma cidade.

A sua idade

Só DEUS sabe;

É o caso de Babilônia,

Mãe de toda meretriz,

Porque é a matriz

De todas as meretrizes

Que cometem os seus deslizes

Envolvendo multidões.


“Devorei prazeres e fiquei faminto, bebi ilusões e continuei sedento.

Bertolt Brecht (1898-1956).


Grandes nações

Sorvem das prostituições

Que há no seu cálice de ouro,

Pois desejam um grande tesouro:

Aumentar o seu território

E todos os seus bens,

Não por meio meritório,

Mas por meios tais

Que promovem demais

Guerra de toda espécie.


Nela só se espelha

Quem não freia

Os seus maus pendores.


“Apenas quando somos instruídos pela realidade é que podemos mudá-la.”

Bertolt Brecht (1898-1956).


Veja que é na sua fronte

Que está escrito

E não no seu Espírito,

Que já dá o seu grito

Pelo Bom Pensamento

De total libertação

A frase mistério,

Este estado efêmero

Que não faz o gênero

De quem quer evoluir

E assim descobrir

Todos os segredos

Que produzem milenares medos.



Meretriz,

É vegetar na cerviz

De total ignorância,

Podendo sair dela

Não pela janela,

Mas pela Porta do Saber.


“Aquele que não conhece a verdade é simplesmente um ignorante, mas aquele que a conhece e diz que é mentira, este é um criminoso.

Bertolt Brecht (1898-1956).


Por que nasci, por que vivo,

Por que durmo e acordo

E não me recordo

Do meu passado?


Por que estudo

Se estou num mundo

Que tudo corrompe?


Por que me divirto,

Se estou em conflito

Constantemente?


Tudo isto passa pela mente

Que quer ser independente

De receios infundados.


Então, para sair de tal meretrício

Ela faz o sacrifício

De se conhecer

Olhando para dentro de si

E não para fora,

Cujo cenário muda a toda hora

Semeando a dúvida.



“Todo mundo chama de violento a um rio turbulento, mas ninguém se lembra de chamar de violentas as margens que o aprisionam.”



Bertolt Brecht (1898-1956).

Dramaturgo e poeta alemão.