MÃE DAS MERETRIZES
5 Na sua
fronte achava-se escrito um nome: mistério, Babilônia, a grande, a mãe das
meretrizes e das abominações da Terra.
Apocalipse de
JESUS CRISTO segundo São João, cap. XVII:5.
Babilônia.
Toda pessoa é uma cidade.
A sua idade
Só DEUS sabe;
É o caso de Babilônia,
Mãe de toda
meretriz,
Porque é a
matriz
De todas as
meretrizes
Que cometem os
seus deslizes
Envolvendo
multidões.
“Devorei
prazeres e fiquei faminto, bebi ilusões e continuei sedento.”
Bertolt
Brecht (1898-1956).
Grandes nações
Sorvem das
prostituições
Que há no seu
cálice de ouro,
Pois desejam
um grande tesouro:
Aumentar o seu
território
E todos os
seus bens,
Não por meio
meritório,
Mas por meios
tais
Que promovem
demais
Guerra de toda
espécie.
Nela só se
espelha
Quem não freia
Os seus maus
pendores.
“Apenas quando somos instruídos pela
realidade é que podemos mudá-la.”
Bertolt
Brecht (1898-1956).
Veja que é na
sua fronte
Que está
escrito
E não no seu
Espírito,
Que já dá o
seu grito
Pelo Bom
Pensamento
De total
libertação
A frase mistério,
Este estado
efêmero
Que não faz o
gênero
De quem quer
evoluir
E assim
descobrir
Todos os
segredos
Que produzem
milenares medos.
Meretriz,
É vegetar na
cerviz
De total
ignorância,
Podendo sair
dela
Não pela
janela,
Mas pela Porta
do Saber.
“Aquele que não conhece a verdade é
simplesmente um ignorante, mas aquele que a conhece e diz que é mentira, este é
um criminoso.”
Bertolt
Brecht (1898-1956).
Por que nasci,
por que vivo,
Por que durmo
e acordo
E não me
recordo
Do meu
passado?
Por que estudo
Se estou num
mundo
Que tudo
corrompe?
Por que me
divirto,
Se estou em
conflito
Constantemente?
Tudo isto
passa pela mente
Que quer ser
independente
De receios
infundados.
Então, para
sair de tal meretrício
Ela faz o
sacrifício
De se conhecer
Olhando para dentro
de si
E não para
fora,
Cujo cenário
muda a toda hora
Semeando a
dúvida.
“Todo mundo chama de violento a um
rio turbulento, mas ninguém se lembra de chamar de violentas as margens que o
aprisionam.”
Bertolt
Brecht (1898-1956).
Dramaturgo e poeta alemão.



